Na quarta-feira, 19, o Sindicato Nacional dos Aeroportuários — SINA realizou uma dinâmica de conscientização para tratar o tema da violência contra a mulher.

A palestra, que aconteceu no Aeroporto Internacional de São Paulo, foi uma iniciativa da GRU Airport, em parceria com o sindicato.

A atividade foi ministrada pela advogada Neiva Flávia de Oliveira — também docente na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberlândia —, que pontuou as proporções negativas do ciclo de violência, influenciando a movimentação social e econômica ao redor da vítima, com objetivo de trazer a discussão para o ambiente de trabalho.

Flávia comentou a necessidade da percepção e sensibilidade da empresa para a situação de violência. “A mulher tem duas relações: a de casa e a do trabalho. Se a da casa é insegura, vai ser no trabalho que ela vai precisar de ajuda”. Enfatizou, também, que não são suficientes, hoje, apenas as leis penais para o combate ao ciclo da violência contra a mulher. É imprescindível o apoio da empresa já que para ela, na maioria das vezes, este é o único ambiente em que ela se sente segura e de onde ela pode conseguir reunir forças, informações e elementos necessários para sair da situação de violência. A empresa pode ser considerada o elo mais importante na rede de combate a violência doméstica.

A palestra contou com a presença de colaboradores da GRU Airport, entre funcionários e líderes de departamento. Michele Luz, assistente de recursos humanos da concessionária, destacou a importância da dinâmica: “É enriquecedor, principalmente para as mulheres que atuam na empresa, para que se sintam acolhidas e orientadas”.

Para as assistentes do departamento administrativo, Marisa Ferreira e Rose Soares, a informação é a principal ferramenta de combate. “Quando você fala sobre, você empodera a mulher, oferecendo à ela apoio, sanando também seus medos e suas dúvidas”, comentou Marisa. Rose afirma que ainda há dificuldades em tratar o tema em diversos ambientes, inclusive no trabalho: “Muitas coisas das quais não sabíamos ficaram mais claras para enxergarmos o que pode acontecer à nossa volta”.

A advogada Adriana Ribeiro, colaboradora do projeto, falou sobre a importância da preparação da empresa para a situação de violência. “Voltar para casa, para a vítima de violência, é o momento mais difícil do dia, então é na empresa que ela deve se sentir segura, acolhida e obter o entendimento suficiente para romper este ciclo”, afirma.

A diretora de formação do Sina, Mara Amaro e a dirigente Vera Leite falaram sobre a importância da parceria entre empresa e sindicato. “Entendemos que a empresa dá força à funcionária, fazendo ela se sentir importante, fazendo com que ela saia da situação em que está”, comentou Vera. Para Mara, o local de trabalho atua como principal mediador, num primeiro momento, para a mulher: “Se a empresa souber tratar o problema, realizar o acolhimento e o encaminhamento desta mulher às redes, será o ponto inicial para que ela saia da situação de violência”.

A iniciativa, que é pioneira no movimento sindical, destaca a importância da parceria entre sindicato e empresa, uma vez que é no ambiente profissional que a mulher, em situação de vulnerabilidade, buscará acolhimento, apoio e segurança.