Por Daniel Rittner para Valor Econômico

aeroporto Confins

O governo já pode respirar aliviado: pelo menos um concorrente de peso resolveu assumir publicamente que disputará a concessão do aeroporto de Confins (MG). A Odebrecht, que lidera um consórcio com a operadora internacional Changi (Cingapura), se diz pronta para entregar uma proposta pelo terminal mineiro.

“O presidente da Changi esteve conosco para revisar as últimas avaliações. Há uma intenção de colocar ofertas tanto para o Galeão quanto para Confins”, antecipou ao Valor o principal executivo da Odebrecht TransPort, Paulo Cesena, que está à frente do braço da empreiteira responsável por concessões de infraestrutura e mobilidade urbana.

O leilão dos dois aeroportos está marcado para o dia 22. Para o governo e para o mercado, sempre ficou claro o forte apetite da iniciativa privada pelo Galeão, no Rio de Janeiro. Crescia, no entanto, a especulação em torno de um possível fracasso em Confins. As declarações de Cesena são uma firme sinalização de que a concessão do aeroporto mineiro não vai “micar”.

O Valor apurou que a CCR, em parceria com as operadoras dos aeroportos de Zurique (Suíça) e de Munique (Alemanha), informou ao governo que também pretende entregar ofertas pelos dois terminais. Um aceno sobre essa disposição até já foi dado publicamente pelo presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo, em entrevista.

Nos bastidores, a ênfase foi maior e considerada suficiente para tranquilizar o Palácio do Planalto. A Andrade Gutierrez é uma das controladoras da CCR, junto com os grupos Camargo Corrêa e Soares Penido.

No próximo leilão de aeroportos, a Odebrecht repetirá a aliança formada na primeira rodada de privatizações no setor, em fevereiro de 2012 – quando foram concedidos Guarulhos, Viracopos e Brasília. O consórcio fez propostas pelos três terminais, mas não levou nenhum. Em Viracopos, ficou em segundo lugar.

A Changi, sua parceira, administra o aeroporto internacional de Cingapura – eleito como o melhor do mundo no ranking da Skytrax, referência no setor. Ela detém ainda operações na Itália, na Arábia Saudita e na Rússia – no ano passado, adquiriu 30% de participação em uma empresa russa que gere quatro terminais, incluindo o de Sochi, sede da Olimpíada de Inverno em 2014.

Ontem, 06/11, em Brasília, o Tribunal de Contas da União (TCU) contrariou a expectativa do mercado e não julgou a representação feita pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) contra o limite de 15% à participação dos atuais acionistas de aeroportos já privatizados nos consórcios que vão disputar o Galeão e Confins. A área técnica do TCU é contra derrubar esse limite, que já foi aprovado pelos ministros do tribunal, por 7 votos a 1. Apesar de terem votado favoravelmente, vários ministros demonstraram dúvidas e manifestaram discordância com a barreira, mas resolveram acompanhar o relator da matéria.

Investidores têm apontado problemas nas exigências do contrato em Confins, como a construção de uma segunda pista em 2020, que pode custar até R$ 1 bilhão. Eles argumentam que a necessidade da pista é duvidosa e defendem sua construção mediante um “gatilho” – ou seja, se for atingida certa movimentação, aciona-se uma cláusula que determina a execução das obras.

Há temores ainda de que o potencial de receitas comerciais em Confins, um aeroporto com poucos voos internacionais, não seja tão grande a ponto de gerar apelo suficiente com essas receitas.

Enquanto isso, no Galeão, existem interessados de sobra. Pelo menos seis consórcios já estavam formados para a disputa. Um sétimo grupo se credenciou nas últimas semanas: a espanhola Aena e com a construtora brasileira Engevix. A Aena lidera o consórcio, com 85%, e a Engevix entra com 15% de participação. Esse é o limite com o qual a construtora pode participar, já que administra o aeroporto de Brasília, junto com a operadora argentina Corporación América.