Companheiros e companheiras, quero informar aqui o resultado das assembleias, as assembleias no Brasil inteiro, que terminaram ontem, dia 31 de agosto, nas quais conseguimos aprovar o dia 12 de setembro como o dia nacional de luta, como o dia nacional em que a gente vai se mobilizar pra valer, mais uma vez.

E vamos, dessa vez, fixar faixas e banners, cartazes, vamos distribuir panfletos para a categoria, porque nesse momento, como foi a proposta do Sindicato, temos que trazer aos poucos a opinião da sociedade para o nosso lado. Parte da imprensa, da mídia, já está questionando o que será dos outros aeroportos se desmantelar a Rede Infraero, se parar o subsídio cruzado. A Infraero depender de aporte do governo, isso eu já disse aqui, que não vai acontecer. O governo faz aporte não é para a infraestrutura; o governo faz aporte é dentro do Congresso para votar os projetos dele.

Quero aproveitar esse momento para esclarecer algumas polêmicas que surgiram durante o processo das assembleias, em relação ao edital que foi lançado pelo Sindicato. Esse edital, na verdade, está redundante, com exceção da letra A: “apresentação, discussão e deliberação sobre a contraproposta da empresa referente à proposta da categoria profissional para a data-base 2017”. Na verdade, a contraproposta não foi oficial, ela foi intencional da empresa em ser reajuste zero, e isso nós já falamos aqui, que vamos votar não a essa contraproposta. Depois seria apenas aprovar a data do dia 12.

Agora, aqui também tem a letra B, ela fala sobre a delegação de poder da diretoria da entidade sindical para firmar acordo coletivo de trabalho, ou convenção coletiva de trabalho, termo aditivo a estes. Letra C: para representar a categoria profissional dos aeroportuários sobre discussão e deliberação da participação nos lucros. Letra D: a contribuição assistencial de 2% sobre a remuneração do mês de desconto limitado a 100 reais. Bom, esses outros pontos do edital, isso já foi votado nas assembleias de março. Por conta dessa redundância do Sindicato, neste edital, agora, algumas pessoas tentaram distorcer, chegando ao absurdo de falar que o Sindicato podia assinar acordo sem aprovação de assembleia da categoria.

Vamos deixar muito claro que nem acordo de escala consegue se registrar no Ministério do Trabalho sem ter anuência da categoria. Tem que ter ata, tem que ter edital, tem que ter lista de presença para registrar qualquer tipo de acordo. Na história do Sina, e por falar em acordo coletivo, eu não tenho vergonha de dirigir um sindicato aonde o nosso acordo coletivo é um dos melhores de todas as categorias no Brasil. Aonde nós temos um acordo com o governo que está salvando nossos empregos, aonde eu estou condenado na Justiça, junto com outros diretores nossos, porque tentamos barrar esse processo de concessão de aeroportos, aonde esses dirigentes do Sina, sempre na história do Sindicato, até hoje, vêm levando borrachada da polícia, spray de pimenta e se colocando à disposição para lutar por essa categoria.

Agora, me entristece um pouco que algumas pessoas, durante essa semana, questionaram a idoneidade do nosso Sindicato, principalmente a idoneidade dos dirigentes desse Sindicato. Eu já vi muitos deles votarem em assembleias pra gente ir para a greve, pra gente levantar a mão, pra gente ir pra porrada. E no dia que a coisa começa, entram pelos fundos do aeroporto para fazer hora extra ou, pior do que isso, faltam no trabalho para ficar vendo Netflix, ou enchendo o saco nas redes sociais, ou muitas vezes indo para a praia.

Eu acho que greve é cruzar os braços. Greve é demonstrar para o patrão a nossa indignação. Greve é ombro a ombro e, se a polícia vier, a gente negocia, mas não sai do nosso objetivo, junto com a entidade sindical.

Não tenho vergonha de ser sindicalista. Ao contrário, é muito fácil culpar o sindicato de coisas que estão acontecendo com a categoria mas, na verdade, eu quero ver é culpar o governo. Vamos juntos pra rua enfrentar esse governo que está acabando com os direitos dos trabalhadores. Vamos pra rua enfrentar a diretoria da Infraero. Vamos pra rede social escrever verdades sobre o governo e sobre a empresa. Agora, a entidade sindical, nós não temos porque ter vergonha, nesse momento, de lutar por nossa categoria.

Esse sindicato jamais assinará qualquer tipo de acordo, ou fará qualquer tipo de acordo, seja com a empresa privada ou com a estatal Infraero, para vender a nossa categoria. Se fosse assim, nós já estaríamos sofrendo aqui nas costas o ataque aos nossos direitos, a CLT. Em janeiro desse ano, nós conseguimos manter vigente o ACT atual numa reunião com a Infraero, apesar da decisão do seu Gilmar Mendes (que ninguém fala do Gilmar Mendes nas redes sociais). Com a decisão dele, era para a empresa estar praticando a CLT desde maio, com o fim do acordo passado. Porém, a Infraero está praticando ainda o atual acordo por conta de uma reunião que tivemos e por conta de uma ata em que a Infraero assinou com esse compromisso.

Temos um acordo coletivo para fechar e temos uma empresa para salvar. Mas precisamos, não é distorcer fatos aqui não, nós precisamos é ser objetivos, nós precisamos, a partir do dia 12, dar uma resposta firme e, a partir daí, a gente pode ir radicalizando nossas ações e, com responsabilidade, para depois não haver prejuízo de demissão por justa causa, e vão culpar o Sina novamente de ter conduzido mal.

Temos um jurídico que está trabalhando, temos uma imprensa que está trabalhando e temos diretores que estão dispostos a mais uma vez ir pro enfrentamento, seja lá com quem for. Evidentemente, alguns diretores de algumas bases não estavam preparados pra responder a determinadas polêmicas que surgiram nas assembleias, porque alguns diretores do Sina também saíram no Pdita e ficaram outros que não têm tanta experiência. Gostaria eu de ter feito todas essas assembleias e respondido a altura o que me perguntassem, porém quero terminar dizendo o seguinte:  Vamos começar uma luta firme, vamos para o enfrentamento, vamos nos preparar para responder à parte da mídia que está chamando a nossa luta de corporativista, pois não é. Vamos provar para o Brasil a necessidade da Infraero, salvar a empresa e terminar a negociação dessa data-base. Vamos a luta companheiros, e dia 12 vamos dar uma resposta a quem merece a resposta. Vamos a luta.      

Francisco Lemos – presidente do Sina