O fundo russo VTB Capital avalia a compra do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), de acordo com matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo. A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos (ABV) oficializou ao governo seu interesse na devolução do terminal, em julho desse ano. De acordo com o jornal, os russos estariam negociando diretamente com o governo Temer a concessão do terminal, e um contrato de confidencialidade já teria sido assinado.

O fundo VTB Capital integra a estatal VTB Group e tem participação no consórcio NCG, que opera, junto com a alemã Fraport e a grega Horizon Air Investments, o aeroporto de São Petersburgo. Para fechar o negócio, o governo ainda precisa regulamentar a devolução do aeroporto concedido à ABV.

Os russos não são os únicos comunistas (ou ex-comunistas) a se interessar pelas riquezas do Brasil. Conforme apurado pelo jornal O Estado de S. Paulo, de cada R$ 10 que entraram no país para comprar empresas ou ativos, R$ 3 vieram da China, que já investiu por aqui, nos últimos cerca de 30 meses, R$ 60 bilhões. Atualmente, os chineses estão entre os maiores investidores estrangeiros em fusões e aquisições, já detendo papel mais importante que os norteamericanos. Além da energia produzida no país, estão interessados na nossa infraestrutura, incluindo aeroportos.

Em 19 de setembro, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou a compra do Aeroporto do Galeão (RJ) pela chinesa HNA. O negócio, anunciado em julho, só dependia de sinal verde do órgão regulador. Com a transação, conforme o jornal Valor Econômico, a Hainan HNA ficou com 51% da parte privada do consórcio, fatia antes adquirida pela Odebrecht Transport, que deixou o negócio. Os outros 49% ficaram com a asiática Changi, de Singapura, que ampliou sua participação em 9%. A Infraero detém os outros 49% de participação no consórcio.

“O Brasil está sendo vendido tão de bandeja, e a oferta está tão atrativa que até os comunistas estão interessados em nossas riquezas. E para esse governo, cuja única ideologia é dilapidar o patrimônio público para se autofinanciar, não importa o comprador, desde que leve o mais rápido possível o patrimônio do povo brasileiro. Essa é a ironia do capitalismo selvagem”, comenta Francisco Lemos, presidente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina). A entidade acompanha atentamente as reviravoltas no setor aeroportuário, na luta em defesa dos postos de trabalho, da qualidade dos empregos, da segurança operacional e do trabalho, assim como mantém uma firme luta contra a privatização ou extinção da Infraero, que administra mais de 50 aeroportos no país.