A dirigente do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) em Uberlândia, Mara Meiry, e secretária das Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL/CUT) está participando da Conferência Mundial de Mulheres Trabalhadoras dos Transportes, organizado pela Federação Internacional de Trabalhadores em Transportes (ITF), em Marrakesh, no Marrocos. Todas as despesas da dirigente do Sina, incluindo passagens, hospedagem e diárias, estão sendo custeadas pela própria ITF. 

O evento teve início em 7 de novembro e está reunindo 280 mulheres, representando 65 países. O Brasil é representado por Mara e pela ferroviária Janaina Fernandes, do Rio. Dentre os temas discutidos no Congresso estão o fortalecimento da organização da ITF, da mobilização das mulheres dos Transportes contra a violência que atinge mulheres e crianças, e do poder econômico das mulheres.

O Sina foi escolhido para implementar o projeto Women’s Advocates no Brasil. Também apresentou uma moção sobre violência contra as mulheres, destacando o programa “defensoras de mujeres em el lugar”, da ITF, e a condição das trabalhadoras brasileiras no setor aéreo, que sofrem diariamente com abusos de passageiros e empregadores. Na moção, foi destacado o incidente em que uma aeroviária sofreu preconceito racial de um passageiro, no check-in da Azul no Aeroporto de Belo Horizonte.

O presidente do Sina, Francisco Lemos, destaca que o evento da ITF é muito importante, ainda mais levando em conta o momento em que vivemos no Brasil, onde muitos dos direitos dos trabalhadores serão subtraídos pela legislação que entra em vigor no próximo dia 11. “As mulheres aeroportuárias, aeroviárias e aeronautas sofrerão consequências negativas ainda piores que os homens, uma vez que a nova legislação precariza as condições de trabalho, inclusive das mulheres grávidas, permitindo que atuem em locais insalubres. Sem contar que na sociedade, de uma forma geral, a violência contra as mulheres vem crescendo de forma assustadora, com assédios de todos os tipos, chegando à banalização do crime passional cometido por parceiros do sexo masculino. A Justiça do nosso país já dá sinais de retrocesso para um passado nem tão distante, quando era comum ver mulheres morrendo em nome da honra masculina”, comenta. “Somente com muita organização, união e estratégia as mulheres conseguirão superar o preconceito e a opressão, no Brasil e no mundo. Parabenizo as mulheres do setor aéreo, companheiras fabulosas, por sua garra nessa luta”, completa Lemos.

Veja a moção, na íntegra:

Moção sobre violência contra as mulheres

TOMANDO NOTA em relação ao incidente ocorrido no dia 4 de agosto de 2017, em Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, Brasil, quando um passageiro masculino insultou racialmente uma trabalhadora do check-in da companhia aérea Azul. O passageiro usou uma banana para fazer referência à raça da mulher, depois que ela informou-o que sua bagagem poderia ser verificada com status de prioridade.

TENDO DITO que, embora o incidente tenha sido monitorado pela polícia local, que deteve o passageiro, a empregada menciona não ter recebido apoio suficiente após o incidente, e o passageiro em questão não foi penalizado ou proibido pela empresa de usar seus serviços.

PREOCUPADOS que a discriminação racial nos aeroportos tenha sido relatada por sindicatos da aviação no Brasil como um problema grave e endêmico.

CONSCIENTES de que este caso não demonstra apenas uma dinâmica racial perniciosa, também é evidência de como o gênero e a dinâmica de poder se cruzam com a discriminação racial e o assédio, para ter impacto desproporcionalmente negativo sobre as mulheres.

CHAME A ITF A:

  • Pedir às mulheres do Comitê da ITF que visitem o sindicato em questão e investiguem este caso específico, com o objetivo de se aproximar da companhia aérea, pedindo-lhe que tome as medidas apropriadas para proteger sua equipe – incluindo em lista de observação ou proibição os passageiros que violem os direitos dos funcionários em geral e das mulheres em particular, desta forma (e divulgando esse fato para passageiros);
  • Promover a Pesquisa de Testes de Igualdade da ITF com afiliados, com a intenção de coletar dados sobre a violência baseada no gênero no trabalho e informar os resultados na Conferência de Mulheres da ITF e no Congresso em outubro de 2018;
  • Informar para a próxima Conferência de Mulheres Trabalhadoras em Transportes da ITF, fazendo propostas concretas para abordar a interseção de discriminação racial e de gênero para as trabalhadoras na aviação;
  • Apoiar o desenvolvimento de um programa de “defensoras das mulheres”, tanto no Brasil como na região. Este programa deve se concentrar na formação de sindicalistas de aviação civil para apoiar os trabalhadores e trabalhadoras do setor na erradicação da violência racial e de gênero nos lugares de trabalho.

Sina – Sindicato Nacional dos Aeroportuários – Brasil