O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) em Campinas-SP, Alberto Carvalho, participou, em 9 de novembro, na Câmara Municipal, de audiência pública intitulada “Privatização dos aeroportos e o interesse público”, proposto pela vereadora Mariana Conti.

Em sua fala, destacou que as dificuldades dos aeroportuários começaram a se acirrar há dez anos, quando a privatização de aeroportos entrou em pauta no governo federal. A partir de 2002, com a ampliação da distribuição de renda no Brasil, uma faixa importante da população começou a frequentar os aeroportos, ampliando consideravelmente a movimentação de passageiros nos aeroportos, explicou o sindicalista. “As empresas também vendiam mais passagens do que a sua capacidade de atender, gerando overbooking, e a imprensa começou a criticar constantemente o atendimento nos aeroportos, falando em caos aéreo e na importância de aporte de capital privado para ampliar a infraestrutura aeroportuária”. Os acidentes da TAM, em Congonhas, e da Gol, em Brasília, também foram utilizados para criticar a infraestrutura, destaca Carvalho. “Tudo para justificar a venda dos aeroportos”, afirma.

“O governo comprou essa ideia de que a solução seria vender os aeroportos, e que tudo iria melhorar para passageiros, trabalhadores e o país. A população também comprou a ideia vendida pela mídia. Como categoria, lutamos para enfrentar a privatização, fizemos uma grande greve nacional em 2010, mas não conseguimos frear esse processo”, explica. Os aeroportuários que mais se mobilizaram foram os que estavam atuando nos aeroportos que iriam ser privatizados. “O Sindicato conseguiu com essa luta garantir o emprego dos trabalhadores num acordo de estabilidade que começou em 2011 e vai até final de 2020. Nesse período, somente ocorreram demissões voluntárias, mas muitos aeroportuários tiveram que migrar para outros aeroportos não concedidos, e ainda estamos passando por esse processo que é bastante difícil para o trabalhador”, comenta. Agora, nos aeroportos concedidos, o sindicalista aponta as dificuldades das empresas em gerir o complexo aeroportuário, o excesso de demissões de trabalhadores, a precarização das condições de trabalho. “Ao ponto de estarem devolvendo para o governo a concessão, como está acontecendo em Viracopos. E quem vai ficar com o ônus disso? Aonde vamos parar?”, questiona.

O Sindicato mantém a luta contra a concessão de aeroportos da Infraero e para garantir os direitos dos aeroportuários em todo o país, tanto na estatal quanto nos aeroportos concedidos à iniciativa privada. A direção do Sindicato vem participando de audiências públicas em várias localidades, como João Pessoa (PB), Recife (PE), Florianópolis (SC), Brasília (DF), ressaltando o papel essencial da Infraero na integração nacional e a importância do subsídio cruzado entre aeroportos rentáveis e deficitários, para a manutenção e ampliação dos aeroportos em todas as regiões do país.

Veja o vídeo com a fala do dirigente sindical na íntegra.