O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) aprovou, em assembleia realizada na sede da entidade, na última quinta-feira (23/11), a prestação de contas do exercício de 2017 e a previsão orçamentária para 2018.

A saída de muitos trabalhadores associados ao Sindicato no Programa de Incentivo à Transferência ou à Aposentadoria (PDITA) da Infraero, apesar de ter havido novas filiações, está impactando nas contas da entidade, gerando uma perda de receita importante. Afora os ataques constantes à manutenção da Infraero por parte do governo Temer, a transformação do imposto sindical em contribuição sindical facultativa, somente descontada após autorização expressa do trabalhador, num cenário econômico, político e jurídico apreensivo, irá exigir do Sindicato a criação de alternativas para financiar-se e manter-se à frente na luta em defesa dos direitos dos aeroportuários no Brasil.

Isto porque a ameaça constante de perda de emprego e as políticas antissindicais descaradas, principalmente nas concessionárias de aeroportos, onde gerentes e chefes liberam e orientam os trabalhadores a apresentarem carta de oposição à contribuição assistencial, e o discurso que impera em todos os meios de comunicação tradicionais se dá para enfraquecer ou extinguir as entidades sindicais. Mas o Sina continua na luta, como todos os outros sindicatos brasileiros, para manter-se forte, ao lado do trabalhador, a fim de superar esse processo e construir um futuro capaz de reverter todo o retrocesso que o país vem vivendo.

As entidades sindicais existem para defender os direitos dos trabalhadores, garantindo que sua voz seja ouvida pelas empresas e seus interesses econômicos e sociais sejam levados em conta, para dividir o lucro conquistado com o trabalho, garantir condições dignas e segurança no exercício de suas profissões, lutar por um país melhor, com maior distribuição de renda e justiça social. Toda a campanha contra os sindicatos atende o interesse dos empresários e, especialmente, dos grandes grupos econômicos, que no momento estão vencendo no Brasil, retirando direitos históricos do povo, mantendo-se no poder apesar dos sucessivos escândalos, enquanto a população se aliena assistindo o Big Brother na Globo. Nem o direito de greve tem sido respeitado pela Justiça, que vem condenando os sindicatos a multas altíssimas, que levam à perda de sua capacidade financeira para fazer a luta em defesa de suas categorias.

Agora, mais do que nunca, a luta em defesa dos trabalhadores tem que ser bancada pelos próprios trabalhadores, para que mantenham independência e, principalmente, porque são eles os interessados em defender seus direitos, e essa luta se dá através dos sindicatos.

O Sina já está construindo estratégias para resgatar sua capacidade financeira, a fim de superar as mudanças impostas pela reforma trabalhista, e conta com o apoio da sua direção e da categoria para resgatar a consciência de classe, a atitude dos trabalhadores e o apoio, superando o individualismo, a alienação, o medo e a apatia. União, coragem e responsabilidade nunca foram tão necessárias como nos tempos de hoje para a categoria aeroportuária e para todos os brasileiros/as. (Imagens: Folha Opinião)