A diretora do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) Mara Meiry e os delegados Vera Leite e Paulo Alexandre participaram, nos dias 28 e 29 de novembro, do Encontro Regional dos Trabalhadores da Aviação Civil da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF).

O evento, promovido com apoio da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac/CUT) e realizado na sede do Sindicato dos Aeroviários de Guarulhos (Sindigru), reuniu cerca de 60 sindicalistas das redes Latam e Avianca, dos setores de Rampa e dos Serviços de Navegação nos Aeroportos para debater ações contra a precarização do trabalho e em defesa dos direitos trabalhistas. O Encontro contou com participantes de doze países: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Panamá, Paraguai, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.

No Encontro, Mara Meiry, diretora do Sina e secretária das Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística (CNTTL/CUT), trouxe à mesa as informações sobre o projeto Defensoras das Mulheres da ITF, que vem sendo desenvolvido pelo Sina no Brasil. Mara assumiu, nos últimos dias, a Secretaria de Formação do Sina. Há 20 anos não havia uma mulher na Executiva da entidade.

A sindicalista explicou como o Sindicato vem trabalhando o projeto Defensoras, já tendo realizado dois treinamentos com sindicalistas, que contaram com a presença de aeroportuárias, aeroviárias e aeronautas.

Um dos objetivos do projeto é criar mecanismos de defesa das trabalhadoras e propor às empresas, nos Acordos Coletivos, cláusulas que as amparem em caso de violência doméstica. “A ideia é que o projeto impacte as trabalhadoras da aviação e também a comunidade aeroportuária inteira, incluindo as passageiras. Todo apoio às mulheres que sofrem violência doméstica é importante, ainda mais em nosso país”, ressalta Mara.

“Ontem (28), conseguimos incluir na pauta de negociação com três concessionárias uma cláusula de amparo às trabalhadoras aeroportuárias vítimas de violência doméstica. Agora é garantir que as cláusulas sejam aprovadas no acordo coletivo”, destaca.

 

Trabalhadores latinoamericanos pontuam principais desafios

Durante as discussões do Encontro, foi salientada a importância de se construir uma ampla frente de resistência em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores, para enfrentar governos autoritários, privatizações, a destruição da Previdência pública e a precarização do trabalho.

Dentre os problemas comuns citados pelos sindicalistas das diversas nacionalidades estão o descumprimento das Convenções por parte das empresas, práticas antissindicais, aumento da terceirização e precarização do trabalho, e a influência de sindicatos pelegos prejudicando as negociações.

“É fundamental que os sindicatos estejam organizados, fortes e sejam capazes de pensar no futuro os cenários desejáveis e possíveis para a classe trabalhadora. Estamos vivendo a ‘estrangelização’ da indústria da aviação civil e precisamos ter uma profunda consciência política”, explicou a coordenadora de Organização Sindical da ITF das redes Latam e Avianca na América Latina, Dina Feller.

Dina, que é argentina, e a sindicalista Elsi Cedeño, do Sitecmap (Sindicato de Técnicos de Mantenimiento de Aeronaves), do Panamá, vieram ao Brasil participar do evento com seus filhos, ambos bebês, demonstrando os esforços extras que as mulheres sindicalistas aplicam para poder atuar no movimento. A ITF representa cerca de 250 sindicatos da aviação em 130 países do mundo. (Com informações da Fentac-CUT)